quarta-feira, 11 de abril de 2018

O primeiro livro abre todas as portas

O primeiro livro abre todas as portas. Depois dele, tudo fica mais fácil. Não se é mais aprendiz ou iniciante. Quem vê o segundo acha melhor que o primeiro, que poderia ser tentativa. Como dizia minha mãe, deveríamos começar pelo segundo filho. Assim, deveríamos começar pelo segundo livro. SQN. Foi o primeiro que abriu todas as portas. O primeiro é inesquecível, como foi para mim. Mas é só a partir do segundo que nos levam a sério.

11/04/2018 - 9h




O erro tipográfico

"A luta contra o erro tipográfico tem algo de homérico. Durante a revisão os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis. Mas, assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas. Trata-se de um mistério que a ciência ainda não conseguiu decifrar".


Monteiro Lobato 



Revisão, a quanto obrigas

Ofício de Revisor: por trás de um texto, tem uma pessoa. 
Ofício de Editor: por trás de uma pessoa, tem um livro.

Tem que se ter muita paciência para chegar ao fim de uma revisão. 
Ler até não encontrar erro algum. Nem sempre o autor aguenta.

9/04/2018 - 10h11


Duas revisoras

Duas revisoras. A é gentil, B é menos gentil. A entregou o serviço e recebeu o pagamento. B recebeu o pagamento, mas terá de rever a revisão. Enquanto A fez tudo sorrindo, B reclamou do atraso do pagamento, sendo que o de A também atrasou. Tudo depende de como se lida com o trabalho que se faz. Ou se faz pelo trabalho, ou se faz pelo dinheiro. Se for pelo dinheiro, o trabalho não será tão bom, nem a convivência amistosa. Se for pelo trabalho (que também é dinheiro), a relação será muito mais feliz e teremos revisora e editora satisfeitas.

9/04/2018 - 18h31


domingo, 1 de abril de 2018

Livros têm poderes que nem suspeitamos

Toda vez que entro numa livraria, ligo um radar, como se estivesse pronta para ver algo que nunca esperei encontrar. Só que não é consciente. Mas como já aconteceu várias vezes comigo, eu sei que basta entrar numa livraria para esse fenômeno se repetir. Sempre puxo um livro que nem imaginava existir. Estranha capacidade dos livros de nos chamarem de onde estão, imóveis em sua estante, como se falassem conosco por telepatia. "Venha, venha", eles dizem, mas num tom tão imperceptível, que não prestamos atenção no que estamos ouvindo, só quando já o temos na mão é que entendemos a mensagem. Livros têm poderes que nem suspeitamos. Carregam histórias de vidas. Carregam mensagens, segredos, revelações e mistérios. Um livro não é vencido pelo tempo. Pode levar uma eternidade, mas um dia será lido. E não é preciso ler todos os livros do mundo (nem aquela lista dos 100 melhores da BBC) para dizer que leu - eles só serão lidos se tiverem utilidade. Se forem inúteis, nunca serão lidos - e sim outros muito mais úteis para nós. Os livros que não li, eu não precisei ler, já que nunca sentiram minha falta. O livro que precisei atirou-se em mim.
1/04/2018 - 10h40


quinta-feira, 29 de março de 2018

Nunca houve tantos erros de português

Nunca houve tantos erros de português. Os erros se espalharam. Estão nas revistas, jornais, artigos, discursos, entrevistas, banners, postagens, até em cartões de visita. Está na simples comanda do garçom, no menu da pizzaria, no cardápio do restaurante, no outdoor, na legenda dos filmes, nos closed captions e na dublagem. Estamos cercados por erros provocados pela má fala e a falta de correção. Diplomados erram a ortografia. Mestres e doutores não sabem pontuar, acentuar e conjugar. Falta vo-ca-bu-lá-ri-o. E os revisores têm de fazer de tudo para colocar crases, vírgulas, abrir parágrafos e montar diálogos. Quando alguém me diz: "Já está revisado", eu não acredito. No último livro, foram 142 erros em menos de 80 páginas. Na verdade, são só 40, porque somente há texto nas páginas ímpares. O número de erros por página dobrou. E nem digo a idade do autor. Nunca se precisou tanto de revisores quanto hoje.
28/03/2018 - 8h54


terça-feira, 27 de março de 2018

O livro como ele é

Há livros que se bagunçam antes de ficarem prontos. Dá um trabalho danado explicar para o autor que tudo vai dar certo no final, é só ter paciência, mas é justamente aí que eles perdem a paciência, quando ela é mais necessária, e aí ouvimos uns desaforos que não mereceremos ouvir. Correção de livro é para os fortes.
27/03/2014 - 14h12