sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Carta a um jovem escritor à procura de um editor

1. mande o texto o mais finalizado possível para o editor, com revisão gramatical, ortográfica feitas por um bom revisor. Se não conhecer nem puder contratar um, pergunte se o editor dispõe de quem faça revisão, no entanto, seu texto deve estar praticamente pronto para edição e não pré-finalizado, portanto, antes de mandar o livro para publicação, frequente oficinas literárias, assista a aulas de redação e de criação de texto, invista na sua carreira de escritor, como qualquer outra. Escrever é um ofício, não uma distração, nem terapia, portanto, tem que aprender a escrever bem. Para isso, leia seus autores favoritos: eles ensinarão como escrever melhor.

2. coloque todo o texto num único arquivo em Word, nada de ficar mandando um poema por arquivo. Isso enlouquece qualquer editor. Coloque os poemas na ordem que quer que sejam publicados, sem quebras de página, sem numeração de folhas, apenas um poema embaixo do outro. Se forem contos, um conto seguido do outro. Se for um romance, um capítulo atrás do outro. Importante: não enfeite, nem edite o texto em Word. Embora o Word seja um editor de texto, ele não serve para editar livros, isso é feito em outro programa de edição. O texto em Word tem que estar o mais enxuto possível, sem fontes diferentes, nem corpo menor ou maior que 12, sem recuo de parágrafo, nem centralização, ou qualquer outra gracinha que o Word oferece. O texto tem que estar limpo, alinhado à esquerda, ou justificado, sem mais de uma linha de separação entre os parágrafos ou poemas (computador não é máquina de escrever, não pode haver espaços manuais entre os textos). Um texto bagunçado ou muito bordado é horrível de revisar: tudo será descartado, portanto não perca tempo com isso.

3. frequente lugares onde haja outros escritores, associações, clubes, academias, grupos, encontros, eventos - descubra quem já escreve perto de você, procure na internet quem já faz isso. Descobrirá que seus sonhos já são de outras pessoas, que também gostam de escrever. Troque ideias, ouça seus conselhos, leia o que eles escrevem. É importante se descobrir inserido num contexto literário. Escrever é um ato solitário, mas o que for escrito será lido pelos outros. Ninguém escreve só para si, pois se escreve, para que publicar? Frequente livrarias e bibliotecas - ali sempre há escritores à solta, em busca de algum livro interessante. E quando menos esperar, terá amigos que compartilham do mesmo ofício, que têm a mesma paixão: escrever.

Rio de Janeiro, 1/10/2010 - 13h24

4 comentários:

  1. Thereza,
    Seu mais novo livro - fruto de sua experiência ambivalente de autora e editora - traz, por certo, elucidações valiosas. Realmente, estabelecer essa convergência entre autoria e edição viabiliza projetos e produções editoriais dos mais diversos segmentos. Livreiros, escritores, editores e, naturalmente, leitores muito poderão usufruir de sua experiência e de seu conhecimento no ofício das letras.
    Creio que a obra A VIDA DOS LIVROS preencha uma clara lacuna no mercado, na detecção de necessidades e no apontamento de soluções no âmbito. Com prazer, oferecerei o livro como presente a diversas pessoas amigas.
    Parabéns por trabalho tão criterioso e viabilizador!
    Saudações literárias.

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  2. Mais uma vez obrigado pelas dicas. Espero uma visita sua em meu blog.
    http://visaodeumburrachosolitario.blogspot.com/

    Atenciosamente,

    Bruno Chagas Barbosa

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  3. Muito esclarecedor seu texto. Agradeço, pois aprendi com ele e tive dúvidas sanadas. Convido-a ao meu blog: http://oespectrodosilencio.blogspot.com/
    gostaria se puder lê-lo e dizer o que acha.

    Grato pela atenção

    Rafael

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  4. Não tinha lido dicas dessa forma, Thereza. Você explica muito bem como deve ser, de forma clara e objetiva. E com você aprendi mais.
    Um cordial abraço, obrigado por compartilhar seus conhecimentos conosco.

    Arnobio Alves

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