sábado, 24 de outubro de 2009

O ofício de editor

Pensar o livro como coisa completa, una. Pensá-lo por dentro e por fora, coisa única, amara. O labor mil vezes repetido, infinitas vezes elaborado, o livro não termina nunca, pois assim que um acaba, começa outro.

Esperar que os livros se sucedam, um a um, como afagos, coisas íntimas de tão relidas, rever, encontrar os erros, que se depositam no fundo do casco. Recompor a ode última para que não falte nada.

Assim os livros vêm e vão, e não se despedem, apenas partem, pois o trabalho que tivemos não nos deixa nunca. É como se ainda o fizéssemos muito tempo depois de concluído.

Quando preparamos os livros, eles entram e saem, dois a dois, cada um a seu tempo, escolhendo seu par, como os animais na arca de Noé.

Há livros que se assemelham, que têm os mesmos traços, livros parecidos tanto por dentro quanto por fora, mas nunca sabemos quem é o par do outro, só na impressão eles se revelam. Curiosa dança essa dos livros, em que concluir-se é um ritual. Até para partirem, fazem uma mesura.

E ao olhar para eles todos prontos, perguntamos: "Como conseguimos fazê-los todos?"

Rio de Janeiro, 24 de outubro de 2009 - 20h55

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